Funny Games

(Funny Games, 1997)
Austria, 104 min, 35mm
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Empresa Produtora: Wega Film
Distribuição: Les films du Losange
Elenco: Suzanne Lothar, Ulrich Mühe, Arno Frisch, Frank Giering

Exibição em DVD
Classificação indicativa:

Atravessando uma bela paisagem dentro de um carro, ao som de música clássica, uma família corta a estrada em direção a sua casa num luxuoso condomínio fechado situado à beira de um lago. Com toda a leveza da estética "lar, doce lar", do tipo emanada daqueles filmes publicitários que vendem as maravilhas da vida doméstica na era do conforto eletrônico, os personagens começam a se organizar para uma relaxante estadia. No entanto, uma visita inesperada surpreenderá Georg, Anna e seu pequeno filho. Dois jovens secos e sarcásticos que, vestidos de branco, parecem querer contrariar as conotações emitidas pela cor de suas roupas tingindo essa equívoca pureza de vermelho. Para consumar seus planos, eles irão subjugar a apavorada família num jogo torturante, pontilhado de espancamentos, obscenidades e humilhações. Funny Games, ou "jogos divertidos", “estranhos” ou “esquisitos”, é considerado um dos filmes mais controversos de Haneke e um dos mais violentos da história do cinema. Porém, mais do que mostrar a liquidificação de uma família burguesa, o que nessa obra está em jogo é uma crítica radical à exibição espetacular da violência e a estranha atração por ela exercida. Diante do cru realismo das imagens, o espectador é convidado a ser uma testemunha ocular da diversão desses torturadores de final de semana, bem como do sofrimento arbitrário da família escolhida. Inserido nessa posição nada inocente, que oscila entre o distanciamento crítico e a perplexidade da identificação, o próprio espectador assume seu ambíguo papel de "observador passivo" para ser violentado pela contundência do filme. Uma provocação que transgride as fronteiras entre piedade e sadismo, cujos respingos levaram um crítico do jornal Liberation a declarar que "nunca a violência no cinema machucou tanto".



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