71 fragmentos de uma cronologia do acaso

(71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls, 1994)
Austria, 100 min, 35mm
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Empresa Produtora: Wega Film, Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF) e Arte Geie
Distribuição: Les films du Losange
Elenco: Gabriel Cosmin Urdes, Lukas Miko e Otto Grünmandl

Exibição em DVD
Classificação indicativa:

Esta conturbada cronologia foi baseada em um fato real ocorrido em Viena, nas vésperas do Natal de 1993, quando um jovem invadiu um banco e atirou a esmo, matando três pessoas e ferindo várias para depois se suicidar com um tiro na cabeça. No enredo, um garoto romeno mendiga pelas ruas da cidade; um casal frustrado devolve uma criança adotada; outro matrimônio, com um filho recém-nascido, vive o angustioso cotidiano do desemprego. Há ainda, a tristeza de um segurança bancário em seu casamento com uma esposa sem afeto; um idoso solitário que transita a amargura da exclusão social em companhia de seu televisor; e um competitivo estudante que não se conforma com qualquer possibilidade de perda. Personagens de narrativas dispersas que compartilham um território de abandono, frustrações e desesperos, “sentimentos congelados”, violência e incomunicação. Nesta terceira parte da “Trilogia da frieza”, Haneke faz uma agressiva crítica ao mundo globalizado, que contrasta radicalmente com as cândidas promessas da “aldeia global” proclamadas nos anos noventa. Na contramão do culto às novas tecnologias da comunicação e aos mitos de interatividade ou da  “inclusão digital”, o filme explicita os efeitos colaterais da globalização em sua aurora: desemprego em massa, nacionalismos de extrema-direita e faxinas étnicas, esvaziamento da afetividade, niilismo, riscos e massacres “gratuitos” promovidos por indivíduos aparentemente pacatos contra as instituições do poder, tais como escolas, shoppings, bancos e centros empresariais. Disseca-se na tela um caleidoscópio sombrio de universos fragmentados, cujos contatos se reduzem a uma órbita espetacular na qual contrastam a miséria e fracasso dos muitos excluídos com a riqueza e o sucesso de uns poucos celebrados. Nessa expurgação ficam à mostra as injustiças sociais que produzem o atual estado de exceção, no qual o choque entre classes secreta as tragédias ao acaso que compõem este violento quebra-cabeças social.



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