A fita branca

(Das Weissen Band, 2009)
Itália/Alemanha/Áustria/França, 144 min, 35mm
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Empresa Produtora: Wega Film e Les Films du Losange
Distribuição: Imovision
Procedência da cópia: Imovision
Elenco: Christian Friedel, Ernst Jacobi e Leonie Benesch

Exibição em 35mm
Classificação indicativa:

A história se desenvolve num vilarejo no interior da Alemanha, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, quando uma série de estranhos e violentos incidentes começa a ocorrer. Esses episódios inquietantes mobilizam tanto as autoridades da vila como um grupo de crianças duramente reprimidas e um professor que narra os fatos, todos inseridos num contexto rigidamente hierárquico de punição, fanatismo, vingança e ressentimento. Trata-se de uma alegoria dos ideais fascistas que embalaram os regimes totalitários da época, sutilmente disseminados nos corais da norma, do rigor e da pureza. Porém, essa espécie de gênese do nazi-fascismo não se limita ao contexto germânico pois, nas palavras do próprio Haneke, o filme aborda “as raízes do mal”. A lente se debruça com a agudeza de um bisturi sobre um grupo de crianças “que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que as fizeram engolir aqueles ideais goela abaixo”. Quando se constrói uma idéia de uma forma absoluta, “ela vira uma ideologia autoritária”, continua o cineasta, “e isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender da obrigação de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria”. Não se trata de um problema limitado ao fascismo da direita, mas vale também para o da esquerda e o religioso: “poderia se fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre certos grupos islâmicos de hoje”, acrescentou Haneke, pois “sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através de uma ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida; em nome de uma ideia bonita você pode virar um assassino”. Vencedor de muitos prêmios, entre eles o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes, esta obra alarmante, com atuações magistrais e uma bela fotografia em preto e branco também conquistou o troféu de melhor filme pela FIPRESCI e o Grande Prêmio de melhor filme estrangeiro da Academia Brasileira de Cinema.



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