Código desconhecido

(Code unknow: incomplete tales of several journeys, 2000)
França, 118 min, 35mm
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Empresa Produtora: MK2 e Les Films Alain Sarde
Distribuição: MK2
Procedência da cópia: Cinemateca da Embaixada da França (RJ)
Elenco: Juliette Binoche, Thierry Neuvic, Sepp Bierbichler, Luminita Gheorghiu, Ona Lu Yenke, Arsinée Khanjian

Exibição em 35mm
Classificação indicativa:

Anne Laurent é uma atriz francesa cujo namorado é fotógrafo de guerra. Maria é uma imigrante romena que vive clandestinamente em Paris, tentando conseguir dinheiro para enviar à sua família. Amadou é um professor de percussão em conflito com os fundamentos culturais de sua família africana. Jean, cunhado de Anne, é um rapaz revoltado e filho de um fazendeiro arruinado. Os quatro terão um encontro explosivo em uma esquina da cidade, a partir do qual o espectador acompanhará os fios narrativos que entrelaçaram seus destinos numa ameaçadora teia de misérias e violências. Como ocorre com 71 Fragmentos, este filme apresenta um conjunto de indivíduos sob o domínio do “estado de exceção” que caracteriza as metrópoles contemporâneas. Desmascarando as falácias do multiculturalismo, da boa vizinhança e da comunicação global, emerge na tela uma crescente guerra civil cotidiana atravessada por conflitos étnicos que envolvem a marginalização das “minorias”, além da ruína das antigas formas de trabalho, o aumento da mendicância e o abandono. Nesse território estilhaçado pela intolerância e pela incomunicação, observa-se a anestesia social que permeia os corpos de cidadãos cada vez mais reduzidos à condição de espectadores apáticos, que só percebem o sofrimento dos outros à distância pelos meios de comunicação. Essa inércia, cuja vista grossa e cujo silêncio letal se espalham como uma epidemia, produzem a anomia social que cotidianamente faz milhares de vítimas. Esta “narrativa incompleta de diversas viagens” é interpelada por jogos metafílmicos que desnudam as relações de poder constitutivas da representação cinematográfica, tais como a identificação do espectador e os clichês dos filmes de entretenimento. Embalado pela poderosa percussão tribal de Giba Gonçalves, o filme expõe uma das faces mais banais da violência na atualidade, enquanto a exclusão social, a injustiça e o ódio corroem os envelhecidos mitos de liberdade, igualdade e fraternidade.



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