O sétimo continente

(Der Siebente Kontinent, 1989)
Austria, 104 min, 35mm
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke e Johanna Teicht
Empresa Produtora: Wega Film
Distribuição: Les films du Losange
Elenco: Birgitt Doll, Dieter Berner e Leni Tanzer

Exibição em DVD
Classificação indicativa:

Três personagens vivem o cotidiano de uma típica família de classe média numa cidade do interior da Áustria: o casal composto por Anna e Georg, e sua filha Evi. Em seu novo emprego, Georg se aproveita da idade avançada do chefe para lhe usurpar o cargo. Anna é uma oftalmologista entediada com seus clientes, enquanto a pequena Evi tem um costume estranho: finge ser cega. Tanto a existência como o convívio dessas três figuras é pautada por rotinas frias e mecânicas, que transformam o dia-a-dia numa série de repetições sem fim. Tristes ou mesmo apáticos, resignados e cada vez mais isolados, finalmente eles resolvem tomar uma decisão radical para enfrentar o vazio que impregna suas vidas. Baseado em um fato real que ocorreu com uma família alemã, este primeiro filme de Haneke realizado para o cinema dispara as principais questões que mais tarde atravessariam sua obra completa: a burocratização da vida massacrada pelas engrenagens da sociedade de consumo, a anestesia social provocada pela onipresença do espetáculo, a crueldade das relações humanas em meio ao fracasso dos modelos civilizatórios e, acima de tudo, a incongruência de qualquer possibilidade de final feliz. Trata-se de um filme demolidor das alegres promessas do capitalismo, que deu início a gélida “Trilogia da frieza” assinada pelo diretor. Foi muito bem acolhido pela crítica, sobretudo devido ao incômodo suscitado pelos silêncios e ruídos que emanam da tela, e ao rigor formal que emoldura os planos do perturbador quadro familiar.



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